Um dia ouvi dizer que artista é aquele que expressa seus sentimentos através de letras em canções, movimentos em suas danças, feições em seus rostos, e todas as suas tristezas e felicidades em palavras. Pensei em falar de poetas, ou de músicos, mas pensei e aqueles que fazem das mãos a arte que enfeita, que eterniza emoções e deixa o ambiente de acordo com sua intuição? Falemos então daqueles que fazem vasos. Ah os vasos!
Os vasos são tão diferentes uns dos outros, parecem humanos. E como todos os humanos os vasos possuem individualidades, que só aqueles que observam entendem.
E se todos os nossos amigos fossem vasos? Qual o formato que teriam? Qual a cor? Tonalidade? Tamanho…
Não sou um artista, nem um mero poeta. Talvez um apaixonado por vasos, talvez um apaixonado por humanos. O que verdadeiramente sou? Um colecionador…
Há os Vasos glamurosos. Belos, com cores alegres e nos faz entender o verdadeiro sentido da vida.
Há os Vasos que vão além do decifra-me ou te devoro. Eles conseguem não ser desmascarados.
Alguns são opacos, mas sem eles a minha coleção não seria completa.
Vasos novos, vasos cômicos.
Os vasos podem parecer iguais…Mas jamais serão identicos.
Há os vasos antigos, vasos que nos trazem a sensação de reviver o passado. Não é que sejam ruins, ou velhos, são vasos que retratam nossa história.
Alguns nos trazem uma imagem de paz, de tranquilidade, conforto. São aqueles que estarão ali sempre, e toda vez que olhar pra eles terá uma sensação de serenidade.
Há os vasos que combinam. Aqueles que colocados em conjunto ficam simplesmente perfeitos. Um não seria tão magnífico sem o outro.
Há os vasos simples. Ah! Simplicidade. Não os fazem piores ou melhores, os fazem iguais a qualquer outro, até porque nem sempre os belos vasos conseguem transmitir coisas tão singulares quanto as violetas plantados nos mais simples…
Alguns vasos são pesados para carregarmos, sozinhos não conseguimos. Em muitos deles temos certo apego, vontade de colocá-los na primeira fileira da coleção, mas seu tamanho não permite, e não há prateleira que o caiba. É um vaso construído para exclusão.
Há os vasos inacabados, e isso não tira de forma alguma a sua utilidade. Eles não deixam de ser vasos. E acabá-los é mais fácil do que iniciar a formação de outro.
Alguns são luxuosos, feitos com perfeição, seja na forma, ou na cor ou em detalhes. Vasos nobres porém talvez não menos eternos.
Há os vasos estranhos, porém que nos traz o dom da dúvida e da incerteza, porque essa forma? São vasos que nos fazem enxergar as coisas de outro modo.
Há os vasos em tamanhos imensos, que se nada os ajudasse, não alcançariam o objetivo primordial, o perfume, a cor, a vivacidade.
Alguns vasos se quebram com facilidade. Temos que tomar cuidado ao tocá-los. Aprendemos com eles o sentimento de carinho e fragilidade.
Outros Vasos são transparentes. São límpidos, e que qualquer outra coisa pode fazê-lo mudar, ele tem sua característica mas não deixa de lado a influência alheia.
Ah! Vasos puros…com eles vemos através deles…
Medo de trincá-los? Talvez…
O maior medo de todos é aquele de perder qualquer vaso, seja por descuido, seja por raiva, ou por instinto. É o medo de quebrá-lo, sem motivo, sem perigo, algo sem retorno.
Era pra ser apenas mais uma coleção. Talvez de humanos, talvez de vasos.
Ou não.





