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Procura-se um meio termo.

Janeiro 28, 2009

Faz algum tempo que já não escrevo… Engraçado o quanto isso era bom e importante pra mim. Estive pensando em escrever durante vários dos muitos dias e horas e tempos que se passaram, porém não houve ânimo, nem vontade, nem esforço. O que senti apenas foi um medo grotesco, um nojo horrendo de quem descobriria o quão é fraco e burro.

Medo de me deparar com idéias que não quero, sentimentos escondidos que tranco em minh’alma e que escapolem e se topam, se juntam e se formam diante de uma tenra mão, uma simples e avulsa folha e um lápis fino.

Senti por muitas horas um receio como quem ama pela primeira vez e como quem mente pela última. Notável é observar o quanto o homem sofre com os ALTOS e baixos da vida. Eu particularmente digo que esses “altos” são mais altos pra mim do que os dos outros garotos adultos e insensatos e tolos e bobos e sonhadores e presos à idéias torpes que consomem e martirizam e doem.

E digo ainda que os meus “baixos” são ainda mais poços e fundos, bueiros d’alma que corroem o espírito, machucam o ego e ferem e me ferem e te ferem dos pés a cabeça.

De nada adianta lamurias de consciência que se choca e se mata aos poucos num campo chamado solidão-de-fora-pra-dentro.

Creio, pois, que talvez não adiante também lamentos lacrimejosos como gritos histéricos de vida-morta que clama socorro e urra, e chora, e teme, e vegeta e grita, e urra, e chora, e teme, e vegeta, e grita como uma repetição brusca e ridícula de Eu contra Mim mesmo num conflito parcial e imparcial onde a luta é confusa e dolorosa, a convivência necessária e a vontade inexistente.

E o que sobra é a sobra do lápis e da ponta do lápis e do branco da folha e da mão boba que insiste em escrever e lamentar, lamentar, lamentar como única esperança de mudança, como quem espera à deriva, a carona na próxima embarcação.

Um comentário


  1. Sinto medo.
    Pronto estou dizendo, o que sinto agora.
    Um medo não sei de quê, vindo não sei de onde, de uma presença que persegue por todos os cantos que se vá.
    Mas é o que me estimula. Medo não é covardia. Covardia é ser subordinado a ele.
    Mas creio que o medo vem das coisas novas.
    Você teme pessoas que não conhece, lugares que não conhece, comidas que não conhece.
    Caracterizado. Entende-se o medo.
    Agora é possível lidar com este fantasma.
    Abrace-o. Arrisque-se.
    Não vim aqui dar dicas de como lidar com o medo,
    e hoje tão menos para escrever versos.
    Vim me organizar.
    Entendi o medo. Espero que tenha entedido também.”

    http://universoemconspiracao.blogspot.com/search?updated-min=2008-01-01T00%3A00%3A00-02%3A00&updated-max=2009-01-01T00%3A00%3A00-02%3A00&max-results=31

    Parece que lidamos com mesmos sentimentos de altos e baixos, assim como todo mundo, mas na nossa pele sempre dói mais (que na pele dos outros).

    Não pare de escrever não Myller! Bola pra frente!



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